
Imagine um futuro sombrio, onde um império maligno atravessa as dimensões para dominar planetas inteiros. Agora, imagine um guerreiro solitário, equipado com uma armadura metálica de última geração, determinado a salvar a Terra e sua própria família. Esse é Spielvan, o herói que fez parte da infância de muitos brasileiros.
Entre raios, naves futuristas e lutas coreografadas com dramaticidade, Spielvan conquistou seu lugar ao lado de Jaspion e Jiraiya no panteão dos heróis japoneses que brilharam no Brasil nos anos 90. Uma mistura de ficção científica, ação e drama familiar, com armaduras reluzentes e uma trilha sonora inesquecível.
Um novo Metal Hero no espaço-tempo
Criado pela Toei Company, Jikuu Senshi Spielvan (algo como “Guerreiro Dimensional Spielvan”) estreou no Japão em 1986 como o sucessor direto de Jaspion. Foi a segunda série da franquia Metal Hero, composta por heróis com armaduras tecnológicas que enfrentam ameaças intergalácticas.
Spielvan tem um tom mais maduro e sombrio. Ele e sua parceira Diana são os únicos sobreviventes de um planeta destruído pela organização criminosa Water. Na Terra, os dois assumem a missão de impedir a invasão.
O herói e sua tragédia pessoal
O diferencial de Spielvan era seu drama familiar. Durante a série, ele descobre que sua irmã, Helen, foi capturada e transformada em uma das vilãs. O próprio pai também está desaparecido, o que adiciona camadas emocionais à trama.
- Spielvan – Kenji Sony. Guerreiro sério, determinado, com armamento de energia e pilotagem de tanques e veículos futuristas.
- Diana – parceira fiel, habilidosa no combate e no suporte tático.
- Gavan Tank e Gavan Jet – veículos de apoio do herói, usados em missões especiais e transformações.
- Armadura Spielvan – altamente tecnológica, com visor, capacete estilizado e espada energética.
Os inimigos da vez: Waller
A organização Water queria conquistar o universo utilizando tecnologia genética e engenharia alienígena. Os vilões principais eram:
- Senhor Water: Deus protetor do Império Water, possui forma de um fluído e reside em um receptáculo sobrevivendo apenas com água límpida.
- Rainha Pandora: Porta-voz do Senhor Water e comandante do Império.
- Doutora Bio – cientista fria e cruel, responsável por criar monstros e armas biológicas.
- General Deslock – general de Waller com armadura monstruosa e força sobre-humana.
- Deathzero – o monstro de elite com visual assustador, surgido nos episódios finais.
A cada episódio, Water enviava um novo monstro à Terra, com habilidades temáticas, fogo, gelo, eletricidade, hipnose sempre derrotado por Spielvan em batalhas emocionantes.
Brinquedos, revistas e VHS
Embora a distribuição de merchandising oficial tenha sido mais modesta, Spielvan teve presença significativa:
- Revistas como Herói traziam matérias, pôsteres e fichas dos personagens.
- Brinquedos não-oficiais circularam com frequência, especialmente em feiras e camelôs, utilizando moldes de Jaspion ou genéricos com pintura adaptada.
- Fitas VHS piratas com episódios gravados da TV eram comuns entre os colecionadores.
Curiosidades metálicas
- Spielvan é considerado “irmão espiritual” de Jaspion no Brasil, tanto que foi anunciado como Jaspion 2.
- A série tinha cenas de ação mais sombrias e sérias do que outras da época.
- Nos últimos episódios, Diana ganha sua própria armadura, tornando-se oficialmente uma heroína Metal Hero.
- Spielvan teve aparições especiais em outras séries da Toei.
- O personagem inspirou o visual de alguns robôs e armaduras em produções ocidentais dos anos 90.
- Spielvan foi adaptada para o público americano, juntamente com Metalder e Shaider como VR Troopers.
Legado entre os fãs de tokusatsu
Mesmo com menos episódios exibidos e menor marketing que Jaspion ou Jiraiya, Spielvan virou figura cult entre os fãs brasileiros. Seus temas sombrios, armaduras estilosas e drama familiar criaram uma legião de admiradores.
Relembrado em documentários, reexibido em streamings e homenageado em fanarts, Spielvan se manteve vivo na memória nostálgica de quem cresceu assistindo às aventuras na telinha da Manchete.
Conclusão
Spielvan não foi apenas mais um herói metálico. Ele representou o elo entre a ficção científica e o drama, entre a ação e a emoção. Um guerreiro que lutou pelo universo e pela família e que conquistou seu lugar no coração de uma geração.


